A faculdade vem com muitas pressões. Pressão por bom desempenho. Pressão para se ajustar. Pressão para encontrar a sua turma, para se formar no prazo esperado, para escolher o curso e a carreira certos (e, às vezes, até o cônjuge).
Mas, sob todas essas pressões, está o que eu acredito ser o propósito do ensino superior: crescer em sabedoria, conhecimento e habilidades para que você possa glorificar a Deus, amar o seu próximo e se deleitar na Criação. É difícil lembrar desse propósito com todas essas pressões fazendo marcação cerrada — dizendo para você se preocupar com as notas ou com o motivo de aquele colega ainda não ter respondido a sua mensagem do WhatsApp. Apesar de tudo isso, sua tarefa como estudante é disciplinar-se para ter esse propósito em mente. Deixar de lado suas distrações e focar no chamado que Deus colocou diante de você, hoje.
Então, como desenvolver a disciplina necessária para ter esse propósito sempre em mente? O que você pode fazer na prática, no dia a dia das aulas? Minha experiência ensinando estudantes universitários por 20 anos me ensinou que a chave é a humildade.
Toda sabedoria começa com a humildade. Vemos isso nas Escrituras: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9.10), e temer a Deus requer uma postura de humildade. Aprender, para adquirir sabedoria — ou conhecimento ou habilidades ou qualquer outra coisa — também requer isso. Você deve se abrir, tornar-se vulnerável à oportunidade de crescer. Isso significa admitir sua ignorância, admitir que, quando você entra em uma sala de aula, por mais confiante que esteja no assunto, você tem algo a aprender.
Permita que seus professores guiem sua jornada rumo à sabedoria, cada um em sua área. Confie neles com humildade. Confie que anos de estudo e de disciplina fizeram deles especialistas em seus campos de conhecimento. Não estou dizendo que eles não sejam humanos e que nunca errem. Sim, eles também são humanos e erram. Mas confie que eles têm algo precioso para compartilhar com você.
Estudantes que se tornam orgulhosos também se tornam incapazes de aprender. Não há sabedoria que um professor possa transmitir a um estudante assim, porque esse tipo de aluno senta-se na sala de aula com arrogância, de braços cruzados e com o peito estufado de confiança. Ali, há uma parede que foi erguida.
Eu até entendo que, às vezes, os estudantes têm que fazer certas matérias que consideram desnecessárias. Sei que é frustrante, mas, apesar disso, cada matéria é uma oportunidade de crescer em sabedoria — mesmo que esse crescimento tenha menos a ver com conhecimento factual e mais a ver com atenção, paciência e humildade. Posso dizer por experiência própria que essas virtudes lhe farão bem na vida e estão em falta no mundo contemporâneo.
Eu também entendo que alguns alunos são céticos em relação a confiar em professores por existirem tantas histórias de professores que se aproveitam da própria posição para promover visões ideológicas irrelevantes à sua matéria. Entendo essa preocupação: uma vez tive um professor, em uma universidade secular, que ensinava gramática criticando o Presidente George W. Bush, a Guerra do Iraque e a ciência da criação. Mas, apesar de sua inclinação ideológica, eu de fato aprendi gramática com ele — e ignorei toda aquela ideologia com discernimento.
Toda essa conversa sobre estudantes serem humildes pode soar um pouco condescendente. Afinal, e quanto aos professores? São só os estudantes que têm que ser humildes?
Você ficará feliz em saber que nós, professores, precisamos de humildade tanto quanto os estudantes. Precisamos dela se quisermos continuar a crescer em sabedoria e sermos professores eficazes. Com humildade, nós, professores, devemos nos abrir aos conselhos e às advertências de nossos colegas, de nossos administradores e de outros estudiosos em nossos campos. E, com humildade, devemos ler livros que desafiem a nós e nossos pressupostos. Todo aquele que desejar crescer em sabedoria permanece humilde. Todo professor que não for humilde se tornará um tolo, inevitavelmente.
Mas e quanto àquelas pressões que nos incomodam? Digamos que você chegou à faculdade determinado a entrar em sala de aula com humildade e aberto a aprender, para a glória de Deus. Mas será que, ainda assim, você não se deixará distrair pelas notas ou por aquela mensagem que algum colega leu, mas deixou sem resposta até agora?
Talvez, mas não necessariamente. Se você realmente entender a educação como uma busca por sabedoria, será mais capaz de aceitar notas baixas ou notas altas pelo que elas de fato são — e seguir em frente.
As notas não medem o valor de ninguém como pessoa. Elas não provam que você é um fracasso (ou um sucesso). Elas podem mostrar que você precisa estudar mais para uma matéria específica. E, se for esse o caso, tudo bem. Você pode aceitar isso com humildade. Ou, se receber notas altas, também está tudo bem. Com humildade, você poderá aceitá-las sem ficar inflado de orgulho.
Outras pressões não podem ser tratadas tão diretamente pela humildade (embora, mesmo nesse caso, eu creia que um coração humilde seja parte da solução). As pressões para se ajustar ao grupo, para encontrar o plano de carreira certo e para “fisgar” um cônjuge podem ser esmagadoras.
Meu conselho é este: onde quer que você esteja e qualquer que seja o tipo de faculdade que frequente, encontre uma congregação local e conecte-se a ela — imediatamente. Eu sei que pode ser difícil ser o único jovem adulto em uma sala cheia de pais e de adultos mais velhos. Eu sei que pode ser difícil encontrar caronas nas manhãs de domingo. Mas é isso que você deve fazer.
Tome a iniciativa. Apareça aos domingos no culto. Junte-se a um pequeno grupo de estudo ou a algum ministério universitário. Encontre algum tipo de apoio cristão.
Os anos de faculdade podem ser muito desafiadores para os jovens. É um período de mudanças enormes, de analisar a própria infância, de tomar decisões importantes que terão consequências de longo prazo — e tudo isso enquanto você estuda para provas. Você precisa de uma comunidade cristã para lhe dar uma base, um fundamento. E suponho que aceitar e praticar isso exija muita humildade. Certamente exige vulnerabilidade e coragem.
Se você estiver frequentando uma faculdade ou universidade cristã, recomendo fortemente que tire proveito do horário que seus professores podem atendê-lo (mesmo que esteja frequentando uma igreja ou uma comunidade ministerial), sempre que tiver dúvidas sobre fé, vida e desafios na sala de aula.
É exatamente para lhe dar esse apoio que seus professores estão lá. De fato, um dos grandes benefícios de ensinar em uma universidade cristã voltada para as Artes Liberais é que tenho tempo para me encontrar com os alunos e orientá-los. Eu sempre tento abordar essas reuniões com humildade, consciente de que é uma honra ter alguém que vem me procurar em busca de aconselhamento. As visitas dos alunos nunca são uma imposição, uma obrigação.
Mas, mesmo que você não frequente uma instituição cristã, ter a humildade e a coragem de marcar um horário para conversar com seu professor, durante as horas de trabalho, é algo que só lhe trará benefícios. Estar disposto a levantar questionamentos sobre alguma matéria e seu conteúdo é um forte indicador de sucesso acadêmico.
Neste ano letivo — e no próximo, assim como em todos os anos, mesmo depois da formatura — a decisão de buscar sabedoria, conhecimento e habilidades só depende de você. Gostamos de arrumar desculpas e dizer que algumas pessoas simplesmente parece que já nascem sabendo tudo, que já nascem inteligentes; mas Provérbios deixa claro que a sabedoria está ao alcance de qualquer pessoa que realmente a deseje. Quaisquer que sejam nossas habilidades inatas, todos nós podemos cultivar uma postura de humildade diante de Deus.
As pressões não vão desaparecer. Continuarão a surgir várias coisas que nos distraem, que desviam o foco da nossa atenção. Mas seu dever é glorificar a Deus, amar o seu próximo e se deleitar na Criação submetendo-se ao esforço de buscar por sabedoria, conhecimento e habilidades. Com o apoio de uma comunidade de crentes, com o encorajamento dos professores e com um Deus que o ama e quer que você o conheça, você conseguirá aprender e se sair bem.
O. Alan Noble é professor associado de inglês na Oklahoma Baptist University e autor de quatro livros: To Live Well: Practical Wisdom for Moving Through Chaotic Times [Para viver bem: sabedoria prática para atravessar tempos caóticos], On Getting Out of Bed [Sobre sair da cama], You Are Not Your Own [Você não pertence a si mesmo], e Disruptive Witness [Testemunho disruptivo].