“Eu gostaria apenas de ressaltar”, disse Sara Jacobs, democrata da Califórnia, em sua fala no plenário da Câmara, “que acho muito interessante o fato de minha colega da Carolina do Sul [a deputada Nancy Mace] ser tão obcecada com a questão das pessoas trans — usando insultos horríveis para falar sobre elas —, quando muitas pessoas nesta instituição já receberam cuidados de afirmação de gênero”.
Jacobs não estava se referindo a parlamentares norte-americanos que passaram por transição de gênero, pois existe somente um parlamentar que se enquadra nessa hipótese. O argumento de Jacobs era, em vez disso, a noção cada vez mais comum entre defensores das pessoas trans de que a cirurgia plástica estética e reparadora, o tratamento para distúrbios hormonais, alterações estéticas menos permanentes e até mesmo a prevenção do câncer podem ser enquadradas na mesma categoria de uma vaginoplastia realizada em um homem. Jacobs continuou:
Preenchimento é cuidado de afirmação de gênero. Plástica nos seios é cuidado de afirmação de gênero. Botox é cuidado de afirmação de gênero. Ora, muitos dos meus colegas já receberam cuidados de afirmação de gênero, então. E deixe-me ser clara: acho que todos deveriam ter acesso aos cuidados de afirmação de gênero de que precisam.
Isso é um completo absurdo, até porque o preenchimento estético não é uma necessidade. Mas, talvez, este seja um absurdo previsível em uma cultura tão obcecada por gênero quanto a nossa.
Os Estados Unidos [e tantos outros países] têm sido consumidos pelo sexo há muito tempo: só se fala em praticar sexo, desejar sexo, negar o sexo, em descrevê-lo, em transformá-lo em mercadoria, em coagi-lo e em contê-lo. Esta fixação consciente na questão do gênero, porém, é comparativamente nova.
Pensamos demais em gênero. Falamos demais sobre gênero. Somos seres ruminantes — ficamos ruminando, ruminando, remoendo o que significa ser mulher; ou sentir-se como um “homem de verdade”; o que é ser masculino, sem ser tóxico, ou ser feminina, sem ser retrógrada; como afrontar estereótipos e lucrar com eles ou escolher voluntariamente a única opção que nossas avós já tiveram; ou ainda submeter nosso corpo a cirurgias e procedimentos estéticos para fazê-lo atender aos mesmíssimos padrões sociais e vaidades que denunciamos.
Nossa obsessão — se me permitem tomar emprestada a única palavra que Jacobs acertou em cheio — não se limita a um só lado da guerra cultural. Com certeza, a versão de esquerda é a mais óbvia e inquietante — com a teoria de gênero e as cirurgias eletivas, às vezes grotescas e malsucedidas, que ela usa para justificar. Este é um meio que, ao mesmo tempo, valoriza demais partes do nosso corpo (“corpos com vaginas”) e valoriza de menos o nosso sexo encarnado como parte de um todo integrado (“mulheres trans são mulheres”).
A versão de direita é mais familiar, ainda que nos últimos tempos seja expressa em formas tecnologicamente novas. A influência das tradwives [esposas tradicionais] virou um grande negócio. Homens corpulentos que bebem uísque, têm barbas grandes, usam camisas xadrez e gravam podcasts de teologia reformada são um clichê, e não é à toa. Apoiadores de Donald Trump, por exemplo, geram imagens de IA em que colocam a cabeça do presidente em corpos caricaturalmente masculinos.
Ou considere Kristi Noem, a ex-Secretária de Segurança Interna, que aparentemente se preparou para sua transição política do Congresso e da Câmara estadual para a Casa Branca com uma transformação inspirada no Instagram: roupas justas, cabelos longos e esvoaçantes, dentes novos e algo que aos meus olhos parece ser um uso considerável de procedimentos injetáveis. Noem virou notícia já no início de seu mandato, por causa de uma série de fotos e vídeos que pareciam projetados para lembrar aos seus observadores que, embora ela estivesse ocupando um papel que é típico do estereótipo masculino, em uma esfera da vida que é historicamente masculina, ela não só é mulher, mas é uma mulher atraente e incrivelmente jovem.
A igreja americana também não escapa dessa obsessão. Nós também falamos sem cessar sobre masculinidade e feminilidade (bíblicas ou não), sobre papéis de gênero e se a concepção que temos deles e se a nossa execução desses papéis é cristocêntrica ou mundana. Às vezes parece que damos mais atenção às conversas e aos artifícios culturais em torno das experiências masculina e feminina do que aos homens e às mulheres propriamente ditos.etimes it seems we attend more to the conversations and cultural trappings around the male and female experiences than to males and females themselves.
Quando eu era criança, a palavra gênero era um eufemismo educado para se referir a sexo; utilizava-se a palavra gênero quando alguém desejava distinguir entre masculino e feminino, mas ficava constrangido de pronunciar a palavra sexo [masculino e feminino], pois esta última também significava o ato da cópula. Esse uso persiste, mas não é isso que quero dizer quando digo que somos fixados em gênero.
É difícil definir exatamente o que eu quero dizer — não porque seja algo incerto em minha mente, mas porque é incerto em nossa cultura. A maneira como falamos hoje em dia sobre gênero em conversas comuns é um reflexo do trabalho sinuoso de teóricos acadêmicos que se dedicaram ao conceito de gênero, sendo um dos mais relevantes a teórica Judith Butler, conhecida por sua concepção de gênero como uma espécie de performance. (Se você não estiver familiarizado com ela, aqui está uma amostra de uma entrevista de 2021: É “antifeminista, homofóbico e transfóbico”, alegou Butler, insistir na ideia de “que o sexo é algo biológico e real”).
O esquema exato da teoria de gênero depende muito do teórico. Para alguns, o gênero é uma expressão do sexo; para outros, o gênero é algo totalmente independente do sexo; para outros ainda, a relação é diferente. Contudo, como a maioria de nós adotou os usos mais recentes do termo gênero, sem qualquer conhecimento da história dessa teoria, duas definições coloquiais aqui serão suficientes.
Às vezes, distinguimos entre gênero e sexo como eu fiz implicitamente na primeira seção deste artigo: sexo é o fato biológico, enquanto gênero diz respeito às expectativas, normas e hábitos da cultura que são relacionados a cada sexo. Assim, referir-se a gênero como “um construto social” é uma frase comum.
Em meu casamento, eu sou o cônjuge que deu à luz, porque sou fêmea (e isso é sexo). Eu também sou o cônjuge que usa vestido para ir a festas e coquetéis porque esse é o traje convencional para essas ocasiões no Ocidente atual (e isso é gênero). Neste uso que acabei de fazer, sexo e gênero estão relacionados. O sexo é o elemento primário ou fundacional, enquanto as expectativas, normas e hábitos de gênero podem ser questionados ou alterados, quer seja de forma deliberada ou de forma orgânica. Por exemplo, meu marido não pode escolher dar à luz, mas eu posso escolher usar calças para ir à próxima festa.
Na melhor das hipóteses, o gênero, nesse sentido, é uma palavra útil para falar sobre o que esperamos e assumimos uns sobre os outros, em conexão com as realidades do sexo. Pode ser uma ferramenta de prudência e de graça. Na pior das hipóteses, porém, esse entendimento de gênero se degenera em estereótipos grosseiros e prepara o terreno para o segundo uso coloquial.
Às vezes, falamos sobre gênero desta forma que a acadêmica católica Abigail Favale descreveu criticamente em The Genesis of Gender [A Gênese do Gênero]: gênero é “o sexo da alma, a masculinidade ou a feminilidade inata, que pode ou não se ‘alinhar’ com o sexo do corpo. Para esse entendimento, o gênero decididamente não é um mero construto, mas é antes uma realidade pré-social, a verdade interior contra a qual o corpo deve ser medido”. Aqui, uma concepção interna de gênero é o elemento primário ou fundacional, enquanto o corpo sexuado pode ser questionado ou alterado através de intervenção hormonal e cirúrgica.
É incoerente sustentar essas duas ideias coloquiais de gênero ao mesmo tempo. O gênero não pode ser, ao mesmo tempo, um construto social externo e um sexo da alma, interno e indiscutível. Não pode ser, ao mesmo tempo, algo secundário ao sexo biológico e seu substituto inquestionável. No entanto, na prática, particularmente em conversas sobre disforia de gênero, essa incoerência é ignorada com satisfação.
Isso funciona assim: com base no segundo uso, os defensores do conceito trans anunciam a existência e a primazia da identidade de gênero. Algumas pessoas podem imaginar que ser trans é uma escolha, disse Sarah McBride, o único membro trans do Congresso, ao The New York Times. “Identidade de gênero não é isso”, disse McBride. “É algo muito mais inato. É um sentimento visceral”.
Mas o que exatamente esse sentimento envolve? O que significa sentir-se como um homem ou como uma mulher? Como alguém que é membro de um dos sexos — e que só experimentou a vida como esse sexo — teria algum conhecimento verdadeiro da experiência interna do outro sexo? Podemos imaginar, é claro. Mas como poderíamos saber?
É aqui que a pior versão do primeiro uso entra em jogo: você se sente como uma mulher se gostar de coisas que integram o estereótipo feminino. Você se sente como um homem se gostar de coisas que integram o estereótipo masculino. Um garotinho que brinca com uma fantasia de princesa está se conformando às normas para meninas (o que é gênero segundo o uso social); portanto, pode-se dizer que ele é uma menina (o que é gênero segundo o uso da alma).
McBride e seus aliados poderiam protestar aqui, alegando que não é tão simples assim, que uma mera predileção na hora de brincar não colocaria ninguém no caminho da transição médica. Talvez não, mas em muitos casos acho que minha simplificação é bem leve.
“Se a feminilidade e a masculinidade não residem mais no corpo, não há outro fundamento para esses conceitos que não sejam os estereótipos”, observou Favale. E assim, “hoje, quando uma menina reconhece que não se enquadra nos estereótipos da feminilidade, ela é convidada a questionar o seu sexo, em vez de questionar os estereótipos”.
Não é surpreendente, portanto, em histórias de transição, ouvir uma preocupação ruminante sobre o que o gênero social supostamente diz sobre o gênero da alma. Em 18 Months [18 Meses], o livro de memórias de Shannon Thrace sobre a transição de seu marido e a consequente dissolução de seu casamento, ela descreve repetidamente uma “ruminação interminável”.
“Desde que você se assumiu, não tivemos uma única noite agradável sequer”, escreve ela, dirigindo-se ao seu ex-marido. “Você está obcecado com sua aparência. Você está frágil e sempre pronto para brigar. Você chora até dormir.” Ela lamenta a falta “dos dias em que debulhávamos vagem na varanda. Suas preocupações com o gênero, hoje, consomem nossos dias e nos tiram o sono à noite”.
Ou considere o relato de uma destransicionada [alguém que passa por um processo para reverter uma transição de gênero]. Ela se chama Céline Calame, e escreveu em seu Substack, no verão passado, sobre a vida após uma mastectomia da qual se arrependeu:
É estranho para mim me olhar no espelho. … Meu peito parece ao mesmo tempo achatado e volumoso. Quando foco nele, esse sentimento intermediário faz minha cabeça doer e meu estômago revirar. Eu procuro me controlar: onde estou? Há quanto tempo fui embora? O que meu corpo poderia ter sido, se eu nunca tivesse pensado em ‘mulher’ como uma identidade que eu tinha de sentir para ser; e se eu nunca tivesse buscado essas intervenções médicas?
Esse último e se de Calame aponta o caminho para sair deste ciclo ruminante. Ser homem ou ser mulher, como me disse em entrevista a autora cristã Leah Libresco Sargeant, não é algo que depende de nossos sentimentos ou de nossas ações. É um fato, uma realidade biológica, uma necessidade relacional, é algo dado e é um presente, uma dádiva de Deus, ainda que seja uma dádiva que às vezes lutemos para compreender.
A rejeição dessa “dádiva” é inequívoca na medicalização trans. Mas a tendência bem mais ampla da nossa cultura de ruminar sobre o gênero, disse Sargeant, implica também “que ser homem ou ser mulher é algo em que podemos falhar” — e, portanto, um projeto no qual se deve buscar alguma dose de sucesso.
O melhor entendimento, disse Sargeant, é que “existem homens e existem mulheres, e tanto homens quanto mulheres são chamados à virtude”. O sexo é algo dado, mas a virtude não, e nossas buscas individuais pela virtude podem muito bem ser moldadas por nosso sexo e gênero (no sentido social). “A virtude é aquilo em que você pode falhar”, continuou Sargeant, baseando-se no trabalho da Irmã Prudence Allen:
Você pode ser mais ou menos virtuoso — mais ou menos qualquer coisa —, mas o sexo é algo fundamental sobre você. Ele não pode ser ameaçado, digamos, pelo fato de você usar jeans ou não. Você pode crescer ainda mais na virtude e, quando for corajosa como mulher, será sempre corajosa de uma forma feminina. Isso não acontece porque o ato de bravura seja diferente [para cada sexo]. Você é corajosa de uma forma feminina porque você é mulher. Seu gênero nunca está em perigo.
Já a sua alma pode estar em perigo. Você pode ser mais ou menos virtuoso. Você pode ser mais ou menos aquilo que Deus pediu que você fosse — o que não é necessariamente a mesma coisa que ele pediu ao homem ou à mulher ao seu lado para ser. Mas, o que quer que você faça, você sempre estará fazendo de uma forma feminina.
A alegação aqui não é sobre diferentes padrões de moralidade para os sexos. Em seu livro mais recente, The Dignity of Dependence [A Dignidade da Dependência], Sargeant cita, com apreciação, Teddy Roosevelt, que lembrava a instrução de seu pai de que “o que era errado para uma mulher não poderia ser certo para um homem”. No entanto, a covardia de um homem pode muito bem ser distinta da covardia de uma mulher, e a coragem de uma mulher pode assumir uma forma diferente da de um homem.
O que significaria entender que não podemos falhar em ser homem ou em ser mulher? Que é um fato a questão de que “homem e mulher ele [Deus] os criou” (Gn 1.27)? Como isso poderia acabar com essa fixação em gênero que a nossa cultura tem?
Para começar, podemos ficar livres da ideia desgastante e ridícula de afirmação de gênero. Se mulher é algo que eu sou, e não algo que devo de alguma forma sentir ou fazer, então, não há como eu me tornar mais ou menos mulher. Não há como diminuir o meu sexo — e não há como afirmá-lo. Não há nada a alcançar, nenhuma performance a aperfeiçoar, nenhuma falta à qual eu possa acrescentar algo. Posso decidir jogar segundo as regras atuais do gênero social ou não, mas, mesmo nesse caso, afirmação é a palavra errada.
Portanto, chega de nos contorcer para nos encaixar em estereótipos tolos; chega de performances de autojustificação; chega de cortar partes saudáveis do corpo e de aplicar ácidos em nosso rosto, para nos moldarmos em imagens de homem e de mulher que são mera superfície, sem nenhuma substância — pura ruminação, sem responsabilidade relacional.
“Quando o gênero permanece enraizado no sexo — quando a feminilidade se refere à condição de fêmea, em vez de se referir à personificação de um estereótipo feminino — isso permite que ‘mulher’ seja uma caixa muito mais espaçosa”, escreveu Favale. Para mim, isso soa como liberdade, um alívio para focar em coisas melhores e mais necessárias no serviço a Deus e ao próximo (Gálatas 5.6,13). Não é como se Jesus tivesse dado versões separadas do Sermão do Monte para cada sexo.
De qualquer forma, eu não penso muito no meu próprio sexo ou gênero. Mas suspeito que nesse aspecto eu seja uma exceção. Nem todo mundo quer uma caixa mais espaçosa. “A maioria das pessoas tem um forte senso do que é ser homem ou ser mulher”, observou o teólogo Alastair Roberts para o Theopolis Institute.
No Wisdom of Crowds, a jornalista Christine Emba amplia esse ponto, argumentando que um objetivo genérico em direção à virtude não é suficiente para muitas pessoas, especialmente para muitos homens. “Homens jovens e meninos estão nos dizendo, muitas vezes de forma literal, que desejam desesperadamente e precisam desesperadamente de direção, normas e um roteiro concreto sobre como ser homem — não apenas como ser uma ‘pessoa boa’ — e que, de fato, a falta de tais normas está lhes causando um sofrimento considerável”, escreve Emba.
Na prática, segundo ela acredita, um conjunto de ideais que seja “espaçoso” o suficiente para abarcar as experiências tanto masculina quanto feminina provavelmente não será “espesso o suficiente para ser vivido”. Virtude é virtude, sim, é verdade; mas como “a diferença exige especificidade”, uma ordem para que as pessoas “‘apenas sejam boas’ não é suficiente”.
Muitas pessoas, talvez a maioria delas, concordariam com isso. Elas querem alguma garantia de que estão sendo o homem ou a mulher que deveriam ser. A incerteza perpétua dessa ruminação já provou que não ajuda em nada, mas um chamado universal à virtude também pode parecer algo sem substância. Precisamos da virtude, mas não em abstrato; precisamos de virtude apropriada para o assunto em questão, encarnada no relacionamento específico.
“A internet nos desconectou do corpo, dos relacionamentos concretos que realmente suscitam o sentido que temos de nós mesmos como seres masculinos e femininos”, disse-me Roberts, em uma entrevista. “Coisas como ser marido, pai, filho ou irmão — esse tipo de coisa é muito concreta.” Nosso estilo de vida cada vez mais isolado e descorporificado tenderá a “suscitar ruminação”, argumentou ele, porque exige que formulemos, para e por nós mesmos, um senso de identidade e propósito como homem ou como mulher.
“No passado, isso seria em grande parte algo que lhe era dado, e algo evocado em você pelas realidades concretas da sua existência” — sobretudo seus relacionamentos, disse Roberts. “Meu corpo diz que sou homem e, em termos ideais, meus relacionamentos encarnados são a base desse senso para mim. É como caminhar com os pés no chão, eu não preciso pensar para fazer isso.” Em poucos desses relacionamentos, porém, pensamos e repensamos, “performamos” e consumimos, em busca de alguma fonte substituta para esse embasamento.
Essas alternativas não nos satisfarão. Em The Dignity of Dependence [A Dignidade da Dependência], Sargeant conta que um leitor certa vez escreveu para ela descrevendo exatamente este problema. Solteiro e chegando aos 30 anos, ele, por instinto, achava que ser um homem cristão virtuoso envolvia cuidado sacrificial pelos outros. Mas, disse ele a Sargeant, “sinto que não consigo saber realmente se estou ‘vivendo a vida da maneira certa’ ou sendo tão caridoso com meus semelhantes quanto poderia ser, porque não há pessoas específicas e concretas para eu amar”.
A maioria dos cristãos não discutiria os problemas de sexo e gênero da nossa cultura em termos de “base” ou de “ruminação”. Mas suspeito, e nisso me alio a Roberts, que nossa “preocupação em definir uma espécie de ‘masculinidade bíblica’ ou ‘feminilidade bíblica’ é, muitas vezes, uma reação a essas mesmas ansiedades”. Pode perfeitamente haver espaço para essas definições, mas estou cada vez mais convencida de que uma abordagem menos direta é melhor. Em vez de combater o excesso de reflexão com mais reflexão, ou em vez de reagir a essa ansiedade sobre estar à altura de um padrão com outro padrão a ser alcançado, deveríamos focar em crescer em graça e amor nos relacionamentos que Deus nos dá. Focar na vida em comunidade — especialmente na família, mas também nas amizades, na vizinhança, na escola, no trabalho e na igreja.
A comunidade “fornece o contexto dentro do qual virtudes podem ser demonstradas e reputações podem ser construídas ou destruídas”, disse Roberts. Procure uma comunidade duradoura, aconselhou ele. Aprenda com casais de idosos que estão casados há muitos anos. Invista em instituições e ajude os jovens a terem um começo de vida. Procure imitar os homens e as mulheres de bem que você conhece, para seguir o modelo de masculinidade ou de feminilidade deles, pois são modelos que não se conformam aos estereótipos do presente século, mas sim a Cristo.
Bonnie Kristian é editora-adjunta da Christianity Today.