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A maior parte dos cristãos que mudam de religião acabam sem nenhuma

Estudo global constata um declínio do cristianismo, especialmente em países de alta renda.

man standing in empty church
Christianity Today April 16, 2025
Danique Godwin / Unsplash

Ao redor do mundo, milhões de pessoas trocaram a religião na qual foram criadas por não ter religião.

De acordo com um relatório do Pew Research Center divulgado em março, em países da Europa, das Américas e do Leste Asiático, de 20% a 50% da população mudou de religião. Na maioria dos casos, aqueles que antes declaravam ter uma religião agora não têm religião.

Mais de um terço dos adultos na Espanha e mais de um quarto na Suécia, Alemanha, Canadá, Holanda, Reino Unido e Austrália são ex-cristãos que hoje não têm mais religião. Os EUA não ficam muito atrás, com 19%.

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Embora a pesquisa não indique quando exatamente as pessoas abandonaram a fé — se deixaram de se identificar como cristãs há pouco ou há muito tempo —, a experiência estadunidense confirma os números: muitos frequentadores de igrejas nos EUA têm visto amigos e familiares abandonarem a fé, alegando desilusão, desconstrução e mágoa. Alguns, inclusive, afirmam ser parte do movimento ex-evangélico.

Entre os 36 países pesquisados ​​pelo Pew, os cristãos na Suécia e em outros países europeus apresentaram algumas das menores taxas de retenção. Na Suécia, 4 em cada 10 adultos que antes se identificavam como cristãos — muitas vezes devido à filiação à igreja nacional — agora se consideram ateus, agnósticos ou de nenhuma religião em particular.

A Escandinávia está entre as regiões mais seculares do mundo, um local em que “a religião era algo que simplesmente se deixava para trás no processo de se tornar adulto. Abandonar a religião tornou-se um fato pouco memorável e de pouca importância para as pessoas”, escreveram acadêmicos suecos em um artigo publicado este mês sobre desconstrução religiosa.

No entanto, surgiu uma pequena rede entre cristãos que tiveram uma experiência diferente ao deixarem igrejas minoritárias da Suécia, entre elas igrejas carismáticas, pentecostais e evangélicas livres.

“As histórias contadas no podcast Exvangeliet (e em outros podcasts semelhantes) oferecem um panorama radicalmente diferente do que pode significar deixar uma comunidade cristã na Suécia. As histórias narradas estão repletas de raiva, amargura, ansiedade, solidão e tristeza”, escreveram os estudiosos. “As histórias do podcast destacam que também acontece de ‘suecos seculares’ terem pouca compreensão da religião e da luta [enfrentada] para abandonar uma comunidade religiosa.”

Na Suécia e na Holanda, 30% da população foi criada como cristã, mas abandonou a fé, número que supera em muito a pequena porcentagem de não cristãos que se filiaram ao cristianismo.

“Em muitos países pesquisados, o número de pessoas que foram criadas como cristãs e abandonaram o cristianismo é maior do que o número de pessoas que se tornaram cristãs após terem sido criadas em alguma outra tradição ou sem filiação religiosa”, segundo o relatório. “Em outras palavras, em muitos lugares ao redor do mundo, o cristianismo sofreu uma perda geral ou ‘líquida’ de adeptos, devido à mudança de religião.”

Pesquisadores do Pew Research Center escreveram que a tendência de perdas líquidas para o cristianismo “é especialmente forte em muitos países de alta renda”.

Singapura é uma exceção. O crescimento da igreja em Singapura está superando o número dos que abandonam a igreja. Para cada singapurense que deixou a igreja, três se tornaram cristãos.

O Pew descobriu que, na maioria dos países, pessoas de gerações diferentes tinham a mesma probabilidade de relatar mudança de religião, embora adultos mais jovens tivessem maior probabilidade de se desfiliar da fé em vários países, incluindo alguns na América Latina.

Líderes do Movimento de Lausanne citaram projetos de pesquisa anteriores do Pew sobre a ascensão global dos “sem religião”, escrevendo que novas abordagens evangelísticas são necessárias “para abordar as questões relacionadas à desfiliação religiosa e à secularização por trás dela”.

Em países onde houve uma queda na identificação como cristão, os líderes da igreja enfrentam o desafio de convencer seus próximos seculares a voltarem para o rebanho. Niklas Piensoho, pastor de uma megaigreja pentecostal em Estocolmo, vê o cristianismo cultural residual entre os desfiliados como um potencial ponto de conexão.

“Meu primeiro passo para iniciar um diálogo com as pessoas daqui, neste que é um dos países mais secularizados do planeta, provavelmente não é o que as pessoas imaginariam”, disse ele à revista Outreach, no ano passado. “As pessoas comuns na Suécia ainda têm fortes conexões com a ética e os valores cristãos — com coisas como ajudar os pobres e necessitados e apoiar os vulneráveis. Por isso, meu primeiro passo para iniciar o diálogo é procurar algo [entre essas fortes conexões] que eu possa afirmar.”

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