Esquecemos que Pertencemos a Deus

O bálsamo curativo que está em encontrar nossa verdadeira identidade.

Christianity Today December 13, 2023
Phil Schorr

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

1 Pedro 2.9

Celebrar a vinda do rei eterno é celebrar como, através de Jesus, encontramos a libertação da escravidão do pecado e da morte. Nós, que estávamos longe, fomos trazidos para perto, para um relacionamento restaurado e o descanso eterno com Deus (Efésios 2.13).

As palavras de Pedro foram escritas para cristãos gentios, que viviam como “estrangeiros e exilados” no Império Romano (1Pedro 2.11). Eles eram considerados não cidadãos ou residentes temporários num mundo que valorizava muito a cidadania em sua hierarquia social. Foi também uma época em que a tolerância de Roma com relação à liberdade religiosa estava diminuindo. Pedro estava escrevendo para cristãos marginalizados e perseguidos, que estavam sofrendo por sua lealdade ao Rei Jesus.

Em 1Pedro 2.9, o apóstolo fornece a seus leitores um bálsamo curativo, um lembrete de que foi Deus, e não as pessoas, quem determinou a verdadeira identidade desses cristãos. Pedro usa quatro frases para descrever a identidade deles em Cristo: geração eleita, sacerdócio real, nação santa e povo exclusivo de Deus.

Suas palavras remontam a Êxodo 19.4-6, passagem em que Deus explicou a Moisés o propósito por trás de sua almejada aliança com Israel. Israel fora separado para mostrar ao mundo o que significava adorar o Deus único e verdadeiro. Eles experimentariam sua bênção ao servirem como canal para a bênção de Deus ao mundo.

O sofrimento e a perseguição podem desumanizar e desmoralizar um povo, privando-o de sua dignidade e de sua esperança. O que o mundo tentou tirar desses cristãos, Pedro procurou restaurar. Ele lembrou estes “estrangeiros e exilados” de seu elevado status. Por meio de Cristo, eles eram membros da família de Abraão com acesso direto a Deus. Eles tinham um status eterno como sacerdotes reais separados para conduzir as nações a Deus.

Por meio do evangelho, nós, que fomos desumanizados, somos novamente humanizados, revestidos de força e dignidade, por causa daquele a cuja imagem fomos feitos.

Mas num mundo contaminado pelo pecado e pelo mal, pode ser fácil esquecer isso.

Esquecemos que pertencemos a Deus. Cegados pelas lutas da vida, temos dificuldade em enxergar a esperança eterna que temos simplesmente por sermos dele.

Contudo, nas palavras de Shirley Caesar: “Esta esperança que temos não nos foi dada pelo mundo nem pode ele tirá-la”. Não importa quão escura seja a noite, sempre temos esperança. Por meio de Cristo, o amor inabalável e a fidelidade de Deus nos acompanham para sempre. Assim, em meio ao sofrimento e à perseguição, nossos olhos se voltam para o eterno, não para o temporal. Lembramos que nossa identidade, nosso valor e nossa vocação são determinados por Deus, não pelo ser humano. Seremos o seu povo por toda a eternidade; nosso lar eterno é com ele.

Para refletir



Como a compreensão da nossa identidade como geração eleita e povo exclusivo de Deus molda a nossa perspectiva do sofrimento e da perseguição?

De que formas o mundo tenta definir nossa identidade e nosso valor? Como podemos evitar esquecer que nossa verdadeira identidade é determinada por Deus?

Elizabeth Woodson é professora de Bíblia, teóloga, autora e fundadora do The Woodson Institute, uma organização que capacita crentes a compreenderem e a crescerem em sua fé.

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