Fora das trevas, luz

A Luz do Mundo veio para confrontar o nosso pecado.

Christianity Today December 22, 2023
Phil Schorr

"Levante-se, refulja! Porque chegou a sua luz,
e a glória do Senhor raia sobre você.
Olhe! A escuridão cobre a terra,
dessas trevas envolvem os povos,
mas sobre você raia o Senhor,
e sobre você se vê a sua glória.
As nações virão à sua luz
e os reis ao fulgor do sua alvorecer.

Isaías 60.1-3

Em algum momento da infância, muitos de nós desenvolvemos aversão ao escuro. Lembro-me de estar deitado na cama, quando menino, ouvindo baixinho no rádio o jogo dos LA Dodgers [time de baseball de Los Angeles], e vasculhando freneticamente com os olhos o closet escuro, tentando discernir o que eram aquelas sombras em movimento e que perigos elas representavam. Quando crescemos, muitas vezes evocamos monstros e pesadelos para explicar o nosso medo — na maioria das vezes, porém, é a própria escuridão que nos deixa profundamente perturbados. A experiência da escuridão como uma realidade desorientadora, repleta de algo desconhecido, parece estar profundamente gravada na alma de cada um de nós. Em Gênesis 1, Deus separou a luz das trevas. Este foi um ato intencional e criativo que, na visão de Deus, era bom. No entanto, depois da decisão rebelde de Adão e Eva e da entrada do pecado no mundo, as trevas assumiram um novo significado. Elas não estavam apenas “lá fora”. A escuridão estava em nós e se aproximava de nós. Em escritos judaicos como o Talmude Babilônico, as trevas são uma metáfora para desorientações perturbadoras, para pavores que se apoderam de uma pessoa. Também significam o mal e o pecado que fazem a pessoa lutar por direção, identidade e compreensão do que está por vir. Da mesma forma, Isaías 9 usa a expressão composta tzalmavet — “densas trevas” — para descrever a lúgubre sombra da morte que reside em cada coração humano.

Isaías 60.1-3 ecoa de forma sutil a conhecida história de Gênesis 1. Mais uma vez, há contraste e separação entre luz e trevas. Mas, no relato de Isaías, as trevas envolventes se dissiparão — não quando o Senhor, o autor da criação, ordenar, mas quando ele chegar em sua plenitude. Isaías está profetizando o Advento — a vinda do Rei — que é luz para todos os que estão nas trevas.

Neste período do Advento, as palavras de Isaías são um convite a recordar o primeiro Advento. Em um ato que nada tem de dramático, antes, que é sublime, a Luz do Mundo veio humildemente como um bebê para confrontar a escuridão do pecado em todos nós. As palavras de Isaías são uma celebração: “Levante-se, refulja! Porque chegou a sua luz” (v. 1). A luz ilumina nosso coração para compreendermos não só a profundidade do nosso pecado, mas também a obra redentora de Jesus, já concluída em nosso favor.

As palavras brilhantes de Isaías nos lembram do nosso chamado. Não podemos entesourar egoisticamente esta luz, enquanto aguardamos o seu segundo Advento. A luz deve refulgir de forma brilhante para que as nações e nossos vizinhos do outro lado da rua possam ver Jesus claramente como a Luz do Mundo (João 8.12). Quando o evangelho da luz de Jesus brilha mais profundamente em nós, ele só pode refletir, para fora de nós, através da luz da adoração e da partilha das Boas Novas.

Para refletir



De que modo o conceito de trevas, tanto em Gênesis quanto em Isaías, simboliza mais do que apenas a ausência de luz física, mas também a presença do pecado e da desorientação em nossas vidas?

Como podemos abraçar a mensagem da profecia de Isaías durante o tempo do Advento e refletir ativamente a luz de Jesus, através da adoração e da partilha das Boas Novas com os outros?

Jon Nitta é pastor de formação espiritual, discipulado e pequenos grupos na Calvary Church, em Valparaiso, Indiana.

Para ser notificado de novas traduções em Português, assine nossa newsletter e siga-nos no Facebook, Twitter ou Instagram.

Our Latest

O que realmente significa ‘ser homem’ e ‘ser mulher’? Estamos obcecados por gênero

Com uma linguagem incoerente, que nos é imposta por teóricos acadêmicos, pensamos e falamos sobre gênero sem cessar — e para prejuízo nosso.

Os ingressos VIP em eventos cristãos precisam mudar

Jazer Willis

Oferecer vantagens exclusivas pode ser uma estratégia de marketing bem-intencionada, mas encontros cristãos não deveriam reforçar desigualdades econômicas

Miroslav Volf e Christian Wiman em uma esplêndida conversa sobre fé e dúvida

Andrew Hendrixson

A profunda amizade entre o teólogo e o poeta, construída em torno do respeito mútuo e de sua disposição para enfrentar as questões mais difíceis da vida.

Public Theology Project

Nesta Páscoa, quem perder a esperança a encontrará

A verdadeira esperança é mais do que palavras de consolo, palpites ou previsões.

Cristãos, sejam tardios para postar e comentar

Thomas Anderson

Uma igreja que reage depressa a controvérsias está proclamando a cultura, e não a Palavra de Deus.

News

Chuck Norris: o ícone da masculinidade que reencontrou a fé

Cody Benjamin

O astro personificava o herói da eterna luta entre mocinhos e bandidos.

News

Cuba sofre com a falta de combustível, alimentos e energia. Cristãos oferecem ajuda e esperança.

Hernán Restrepo

O recente bloqueio de petróleo, imposto por Trump, agravou uma situação que já era desesperadora.

Calendário litúrgico: seguir ou não seguir, eis a questão.

Elizabeth Woodson

Que tal se celebrássemos outras datas, além da Páscoa e do Natal?

addApple PodcastsDown ArrowDown ArrowDown Arrowarrow_left_altLeft ArrowLeft ArrowRight ArrowRight ArrowRight Arrowarrow_up_altUp ArrowUp ArrowAvailable at Amazoncaret-downCloseCloseellipseEmailEmailExpandExpandExternalExternalFacebookfacebook-squarefolderGiftGiftGooglegoogleGoogle KeephamburgerInstagraminstagram-squareLinkLinklinkedin-squareListenListenListenChristianity TodayCT Creative Studio Logologo_orgMegaphoneMenuMenupausePinterestPlayPlayPocketPodcastprintremoveRSSRSSSaveSavesaveSearchSearchsearchSpotifyStitcherTelegramTable of ContentsTable of Contentstwitter-squareWhatsAppXYouTubeYouTube